| Tacada de cidadania |
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| Escrito por Geriane Oliveira - Diário do Comércio |
| Ter, 08 de Setembro de 2009 00:00 |
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Fonte: Diário do Comércio Golfe para jovens carentes: tacada de cidadania.
Henrique Manreza/e-SIM
O Projeto Tacada Cidadã é dirigido a jovens com idade entre 14 e 21 anos e que moram à beira da represa de Guarapiranga.
O jovem Felipe de Castro Koth, de 19 anos, trabalhou aproximadamente dois anos como caddie (carregador de tacos do golfista), sem nunca ter jogado golfe. Isso mudou no dia em que tomou conhecimento – ao ver um cartaz – do Projeto Tacada Cidadã (PTC). Foi a sua grande oportunidade de melhorar suas condições de vida. Morador da Vila São José, nas proximidades da represa de Guarapiranga, no extremo sul de São Paulo, Felipe logo se inscreveu no PTC e há um ano vem concretizando o sonho de se tornar um jogador de golfe. "Para mim é uma conquista, e já me considero um golfista. Também estou aprendendo bastante sobre como preservar o meio ambiente", disse. Felipe, que já concluiu o ensino médio e agora faz um curso em uma unidade do Senai, é um dos 40 beneficiados do programa, uma iniciativa do Instituto Paulo Kobayashi (IPK) voltada para a promoção do exercício da cidadania e da consciência ambiental e dirigida a jovens que têm entre 14 e 21 anos e moram à beira da represa de Guarapiranga. "O PTC alia a prática do golfe às carências da formação cidadã desses jovens", explicou o presidente do IPK, Victor Kobayashi, de 34 anos.
Henrique Manreza/e-SIM
"O sonho de jogar golfe se tornou possível. Assim como a questão ambiental. Hoje ensino meus colegas a cuidar da represa. Cada um deve fazer a sua parte", disse Felipe de Castro Koth, aluno.
Realidades – Segundo Kobayashi, as aulas e o treinamento dos jovens acontecem na sede da Associação Beneficente Vida Nova (Abevin), que fica justamente na região da represa. "Aqui eles convivem com duas realidades: de um lado, a freqüência de praticantes de golfe e dos elegantes esportes náuticos. Do outro, a carência de uma população que vive numa região degradada", explicou. Segundo o coordenador da área ambiental do programa, Rafael Jun Mabe, de 31 anos, e um dos professores da turma, o PTC é uma ferramenta de inclusão social. "Ao mesmo tempo em que o aluno aprende as técnicas do golfe, também é sensibilizado sobre a importância da preservação ambiental. A ideia é que esse jovem seja um multiplicador dos conceitos de preservação junto à sua comunidade", disse. Outro ganho para os beneficiados pelo PTC é o aprendizado de atividades que possam ajudá-lo a ingressar no mercado de trabalho. "O programa junta o ensino do esporte dos tacos à necessidade de formar caddies. Todo o processo funciona como um incentivo para que eles desenvolvam as habilidades de caddie ou em funções da área ambiental", informou Mabe. Aula, jogo e ecologia - Iniciado há cerca de um ano com 20 garotos, o grupo do PTC é formado hoje por 40 aprendizes. Cada aluno recebe gratuitamente os materiais básicos para acompanhar as aulas e os treinos. A única exigência do programa é que o jovem curse o ensino regular. As aulas do projeto são realizadas nas tardes de segunda-feira, às margens da represa. As atividades incluem aulas teóricas, com temas como fundamentos, etiqueta e estratégia do esporte, e os conceitos de educação ambiental. Na parte prática, eles treinam e participam de oficinas de reutilização de água e de reciclagem. Segundo Kobayashi, o projeto é mantido pelo IPK e tem apoio dos institutos Manabu Mabe e Barrichello Kanaan e as parcerias da Abevin e da Associação Paulista de Golfe (APG), que este ano reservou oito vagas no 32º Torneio do Pé Duropara o grupo. Seis pessoas, entre professores, esportistas e voluntários trabalham no projeto. Sonho - Para o estudante do ensino médio Marcelo Junior de Oliveira Félix, de 16 anos, que já tinha experiência como caddie, o PTC se tornou uma prioridade. "Tinha muita vontade de jogar e agora estou até participando de um torneio. Eu já me considero um golfista", disse. Felipe, por sua vez, disse que o PTC representa oportunidade e consciência ecológica. "O sonho de jogar golfe se tornou possível e tem sido uma lição. Assim como as questões ambientais. Hoje explico para os colegas do meu bairro como economizar água e cuidar da represa. Cada um deve fazer a sua parte", afirmou.
Henrique Manreza/e-SIM
Todo o equipamento, como os tacos e as bolinhas, é doado por esportistas.
Todo o equipamento, como os tacos e as bolinhas, é doado por esportistas.
O Projeto Tacada Cidadã é fruto do trabalho acadêmico O Golfe e a Educação Ambiental de Jovens Caddies, de Luci Mabe, idealizadora do programa. O objetivo da pesquisa foi diagnosticar as demandas dos jovens que prestavam serviço como caddie e, a partir desses dados, criar mecanismos de inserção social.
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