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As conclusões do Fórum serão compiladas em um documento, na II Carta de Lins. Victor Kobayashi, presidente do Instituto Paulo Kobayashi foi o mediador dos painéis, e o dep. federal Walter Ihoshi, os prefeitos Toshio Misato (Ourinhos) e Jamil Ono (Andradina) e a vice-prefeita de Lins, Keiko Obara Kurimori, representaram a força política Nikkei; pelo lado empresarial, Ronaldo Mytumore, do Bradesco e Leonardo Sasasaki, vice-presidente da Sasazaki. As associações e a comunidade foram representadas pelo Prof. Masato Ninomiya, do Ciate (Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior), Tomio Katsuragawa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa no Brasil (Bunkyo), Kazoshi Shiraishi, presidente da Federação Noroeste e general Akira Obara.
A participação dos jovens e das mulheres nos movimentos da comunidade nipo-brasileira; o apoio aos dekasseguis; o papel da iniciativa privada no apoio a eventos de natureza cultural; a integração e intercâmbio entre todas as federações e associações nipo-brasileiras foram alguns dos temas discutidos durante o Forum de Lideranças Nikkeis “Construindo os Próximos Cem Anos” realizado sábado (dia 16) na cidade de Lins, durante a II Semana da Cultura Japonesa, com a presença de representantes das entidades nipo-brasileiras de São Paulo, da região Noroeste, Alta Paulista e Sorocabana, tais como (Promissão, Cafelândia, Araçatuba, Penápolis, III Alianças, Mirandópolis, Bastos, Birigui, Pompéia, Tupã, Presidente Prudente, Álvares Machado e Ourinhos). O evento teve lugar no Hotel BlueTree Park de Lins, apoiadora do evento, este ano na segunda edição.
Victor Kobayashi, presidente do Instituto Paulo Kobayashi, mediador do fórum e organizador da II Semana, juntamente com a Abcel (Associação Nipo-Brasileira Cultural e Esportiva de Lins), explicou que a mesa foi composta de representes da política, da iniciativa privada e de entidades associativas justamente para abrir o leque das discussões e detectar as necessidades e as contribuições que cada um desses setores da sociedade podem fazer, de forma a traçar as diretrizes que guiarão os próximos passos da comunidade para manter viva as tradições, a cultura e os costumes japoneses no Brasil.
Apoio aos dekasseguis – O deputado federal Walter Ihoshi, presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Japão, abriu os trabalhos do Forum, e disse que, como resultado concreto de seminário por ele organizado em Brasília para desenvolver um programa de recepção aos dekasseguis, foi concedida ajuda financeira para que o Grupo Nikkei mantenha as atividades. O Grupo, presidido por Leda Shimabukuro, voltado à recolocação dos dekasseguis no mercado de trabalho, estava prestes a fechar por falta de recursos. “Foi uma vitoria importante para os dekasseguis, que precisam de apoio, de programas de recepção, tanto para as crianças e jovens, e também para os pais”, disse o deputado, elogiando a iniciativa que estão sendo tomadas pelo prefeito Toshio Misato, de Ourinhos, que criou todo um ambiente favorável na cidade, para acolher os dekasseguis. Proporcionalmente, a representatividade da comunidade Nikkei em Ourinhos não e tão representativa, apenas 3% da população é de descendentes, mas mesmo assim determinei a criação de um Centro para apoiar os Dekasseguis, vinculado à Secretaria de Desenvolvimento, e incentivamos e apoiamos iniciativas para abertura de pequenas e micro empresas com apoio da Associação Nipo-Brasileira de Ourinhos, do Sindicato Rural, do Sebrae, associações comerciais e industriais e da ABF (Associação Brasileira de Franchising), revelou Misato.Em Andradina o clima de acolhimento é o mesmo, completou o prefeito Jamil Ono, que se preocupa com a volta dos dekasseguis ao Brasil por conta da crise econômica. Masato Ninomiya mostrou em números que o Brasil tem mesmo que se preparar para a volta dos dekasseguis. Pelos seus cálculos, dos 300 mil brasileiros que estavam no Japão, pelo menos 40 mil já retornaram.
Manutenção da cultura – Sobre a manutenção da tradição, da cultura, usos e costumes japoneses no Brasil, os participantes do Forum foram unânimes em afirmar que é essencial criar meios e incentivar a participação dos jovens nas atividades das associações nipo-brasileiras. “As mulheres nikkeis, tradicionalmente recolhidas, têm que ganhar espaços nas entidades, participar e tomar à frente essa luta pela manutenção da cultura japonesa no Brasil”, defendeu a vice-prefeita de Lins, Keiko Obara Kurimori, apoiada pelo presidente da Federação das Associações Nipo-Brasileiras da Região Noroeste, Kazoshi Shiraishi, para quem, uma entidade sem um “fujin kai” forte, é como uma família sem mãe, “desnorteada”. Ele cobrou, no entanto, uma participação mais ativa dos jovens, que, na opinião do general Akira Obara, já estão ocupando espaços, mas que para se fortalecerem mais, precisam de uma atenção especial, com eventos e reuniões por ele lideradas e para eles dedicadas. Leonardo Sasazaki, acumula o cargo executivo na empresa com a de presidente da associação nipo-brasileira de Marília e disse que o Japan Fest, realizado anualmente na cidade, é um grande chamariz e incentivo para os jovens nikkeis da região. Segundo disse, ao se sentirem responsáveis pelo sucesso da festa, os jovens se empenharam e se aproximaram da associação nipo. Sasazaki, como empresário, também tocou num ponto importante: o da dotação de verbas para festas e eventos da comunidade. A empresa, segundo disse, não tem ainda um programa, uma verba fixa para essas atividades. “mas seguramente, vou lutar pela criação de uma dotação própria para isso na gestão da Sasazaki”, garantiu. Ronaldo Mytumores, representando o Bradesco, um dos maiores patrocinadores de eventos da comunidade, discorreu sobre a historia da fundação do banco, em 1956, em Marília, e a trajetória que tornam o banco uma das maiores instituições financeiras do País. “A nossa história e a da comunidade caminham juntas, e não vamos nos esquecer disso sempre que tivermos algum evento a patrocinar”, disse.
Por fim, Tomio Katsugawara resumiu o desafio que não é apenas do Bunkyo, mas de todos: o segundo centenário. Para tanto,ele exortou a necessidade da coesão e integração de todas as entidades nipo-brasileiras, de todas as 25 regionais. Ele anunciou a realização, em outubro, do Forum Rural, na cidade de Pompéia.
Participaram também dos painéis, o presidente do Han Soro (Federação da Alta Sorocabana) Toshio Koketsu e o vice-presidente da Liga das Associações Nipo-Brasileiras da Alta Paulista Roberto Kawasaki.
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