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| #05/2009 |
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Revista
Made in JapanDesde fevereiro de 2008, o presidente do IPK, Victor Kobayashi, assina a coluna "Comunidade" na revista Made in Japan, onde escreve histórias de luta e conquistas de imigrantes e nipo-brasileiros de todas as profissões e gerações. "Além de revelar pessoas de grande valor e contar belas histórias de vida, é uma forma de homenagear a comunidade nikkei por toda força, garra e determinação", explica Kobayashi. A revista é vendida mensalmente nas bancas. Confira a seguir a coluna de abril de 2008, com a história do empresário Hirofumi Ikesaki. O valor da DETERMINAÇÃOO Empresário Hirofumi Ikesaki, fundador e proprietário da Ikesaki Cosméticos, maior supermercado de produtos de beleza do País, nasceu com tino para os negócios. Embora tenha crescido na lavoura e puxado muita enxada quando menino, Ikesaki percebeu ainda adolescente que seu futuro estava no comércio. Imigrante japonês, ele chegou ao Brasil em 1934, aos três anos de idade. Veio de Kumamoto com seu pai, seus avós, e mais cinco irmãos. Foram enviados para uma fazenda em Lins, no interior de São Paulo, onde viveram por um ano. Depois, se mudaram para Bastos, município vizinho, onde seu pai comprou um pedaço de terra e passou a plantar verduras e legumes para subsistência, e algodão, para vender. Sua infância foi simples. Ikesaki nunca chegou a passar necessidades, mas não lembra ter usado roupas novas ou ter tido qualquer tipo de luxo. Andava quilômetros em estrada de terra para chegar à escola, de manhã, e à tarde ajudava em casa nos afazeres domésticos e na roça. Ikesaki sempre gostou de estudar. A escola que Ikesaki frequentava não tinha ginásio. Portanto, parou de estudar por um período. A contra gosto. O tempo foi preenchido para trabalhar com o pai na roça. Um dia, aos 14 anos, ele ficou muito doente, a ponto de parar no hospital. Ficou 45 dias internado. Não comia, não bebia nada, só tomava soro. Tinha cerca de 1,80m de altura e 50 kg. Quando recebeu alta, seu pai permitiu que ele não voltasse ao trabalho na lavoura. Porém, como não queria seu filho parado dentro de casa, pediu ao dono do armazém da vila um trabalho temporário a ele. Hirofumi Ikesaki, que mal conseguia ficar de pé devido à saúde debilitada, foi morar no porão do armazém. Ficou 60 dias nesse trabalho, até que seu pai foi buscá-lo. Ikesaki não queria mais voltar para a roça. Pegou gosto pelo negócio. Seu pai que via a violência gerada em Bastos por conta da guerra, havia comprado terras virgens em Maringá, no Paraná, e pretendia levar sua família para longe do caos. Seu pai perguntou a ele o que gostaria de fazer. Hirofumi disse que gostaria de ir para São Paulo, estudar e construir sua vida. Mas seu pai não gostou da ideia, e perguntou como ele ia se virar lá. Mas viu que seu filho não mudaria de opinião. Quem mudou foi ele. Vendeu terras de Maringá, deixou as de Bastos para trás e levou toda a família para São Paulo. Foram trabalhar numa tinturaria, na zona norte da capital paulista. Juntaram dinheiro e, em seis meses, compraram a loja. O mercado foi crescendo, e Hirofumi percebeu que estava na hora de mudar de ramo. Percebeu que, com a melhoria da qualidade de vida, as mulheres estavam se arrumando mais. E enxergou no ramo da beleza um excelente negócio. Abriu o primeiro supermercado de cosméticos no Brasil, na Liberade, em 1954. A loja da Liberdade cresceu e, em 1970, se mudou para a rua Galvão Bueno, onde está até hoje. Ikesaki emprega 500 funcionários só no prédio principal, e aproximadamente 4 mil indiretamente. Hirofumi Ikesaki, 76 anos, construiu tudo com muita garra e coragem. Foi chamado de "japonês louco" dezenas de vezes em toda a sua vida, por sua ousadia e perseverança. É casado, possui cinco filhos e dez netos. É bem-sucedido porque, segundo ele, o esforço está por trás de tudo que faz. |
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